"Este é primeiro levantamento que traz dados específicos para o Brasil relacionando incidência dos tumores com fatores de risco. Traz também um conjunto de ações que, juntas, têm um grande potencial de proteção contra o câncer", afirma Cláudio Noronha, coordenador da Divisão de Prevenção e Vigilância do Inca.
"Os resultados não são uma surpresa, pois já se sabia que a obesidade aumenta o risco de desenvolvimento de uma série de tumores, especialmente os de fígado, pâncreas e endométrio. A importância disso é a compilação desses dados e a conscientização das pessoas", avalia o endocrinologista Bruno Geloneze, coordenador do Laboratório de Investigação de Metabolismo e Diabetes da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Segundo dados do relatório, o controle do peso, mesmo sem a prática de atividade física constante, também seria eficaz no controle do câncer, podendo evitar 13% dos casos.
Para a nutricionista Luciene Assaf de Matos, do Hospital A.C.Camargo, no entanto, aliar uma boa alimentação à prática de exercícios físicos é fundamental. "A alimentação não trabalha sozinha. A pessoa pode até ter o peso adequado, mas o estilo de vida sedentário ao longo dos anos não é saudável."
Medidas
De acordo com Noronha, a publicação também chama a atenção para medidas simples de serem aplicadas no dia a dia da população para tentar manter hábitos saudáveis. "Cerca de 10% dos cânceres são determinados por fatores hereditários. Os outros 90% dos casos são decorrentes do padrão de vida que a pessoa leva, incluindo exposição a infecções, agentes tóxicos, padrão de alimentação, entre outras coisas que podem ser evitadas."Custo para o SUS
De acordo com o Inca, o SUS (Sistema Único de Saúde) registra cerca de 546 mil internações por câncer anualmente -estima-se que são 259 mil internações na saúde suplementar. Cada internação no SUS custa, em média, R$ 1.446,34 para os cofres públicos.Unindo alimentação saudável, atividade física e peso adequado, o Inca estima que haveria uma economia de R$ 84 milhões, em 2010, nos gastos com tumores de boca, faringe e laringe, esôfago, pulmão, estômago, colorretal e mama.
"O Brasil, de modo geral, ainda gasta muito com o tratamento do câncer por falta de uma política adequada de prevenção. Vivemos em um país cercado pelo mar e, mesmo assim, o consumo de peixe é baixíssimo, pois é muito caro para a maioria da população. E o peixe é infinitamente mais saudável do que a carne vermelha", diz a nutricionista Matos.
Segundo Noronha, os dados servirão de base para a elaboração de políticas de saúde pública e uma das prioridades serão as escolas. "A ideia é fazer a proteção primária, para evitar que a pessoa adoeça. Por isso, por exemplo, vamos recomendar que as escolas proíbam a venda de alimentos industrializados nas cantinas e restrinjam as máquinas de venda de comida e bebida prontas", diz.
Fonte: http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u689800.shtml em 05/02/2010.
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